lunes, 15 de marzo de 2010

Kankouran III- Mantenimiento preventivo


"Mantenimiento preventivo"

Hace décadas, a raíz de los estudios que se iniciaron para mejorar los procedimientos y sistemas de producción, y que tanta literatura posterior generó sobre mejoras de gestión, reingeniería de proyectos, introducción y gestión de la calidad, ... que ha permitido que los créditos de formación fluyan y a los alumnos refrescar sus neuronas e interrelacionar con semejantes, comenzó su andadura la defensa de un mantenimiento preventivo frente al correctivo, porque reducía costes al alargar la vida útil de los equipos y evitar paradas de producción inesperadas.

Pero este concepto o idea de acto previo cuyo objetivo es evitar males mayores, no es algo que haya surgido con el desarrollo industrial, si no que es algo existente desde las primeras concepciones mitológicas o supersticiones humanas, aunque si corresponde a la época industrial la racionalización del mismo y su integración en el sistema de lo científico.
Un mantenimiento preventivo consiste en realizar una serie de actuaciones para evitar que determinados actos o circunstancias entorpezcan el funcionamiento habitual de lo que nos rodea en los quehacer diarios, lo cual pasa desde la revisión del vehículo hasta un chequeo médico, en las racionalidades del mundo científico actual, hasta la realización de la "señal de la cruz" dentro de un racionalismo mágico.
En Galicia aún se puede ver a personas que se persignan cuando pasan en Santiago de Compostela delante de un cruceiro, o al atravesar un cruce de caminos, lugar habitual del mal que está dispuesto a entrar en nuestro ser, o frente al mal de ojo. Se realiza el acto de la señal de la cruz como prevención ante un mal funcionamiento que pueda surgir.
Pero nada nos impide aplicar este tipo de mantenimiento preventivo ante elementos que en teoría poseen un funcionamiento mecánico y por tanto inicialmente previsible, pero que no siempre es así. Así hace días hacía espera para realizar el pago de la factura, que debían emitir, de agua que tengo y de luz que no tengo, en las dependencias de la empresa que tiene encomendado dicho cometido, cuando llegó la trabajadora el cargo de dichas tareas; miró para el monitor y a la vez que se sentaba procedía a pulsar el botón de encendido del ordenador llevándose posteriormente la mano a la frente y realizando la señal de la cruz.
Un acto de prevención para tratar que la jornada laboral se desarrollara sin contratiempos, que no existiesen cortes de electricidad, que el programa que hace poco le acababan de instalar funcionase, etc. porque es imposible encontrar una empresa que realice ese cometido de manera eficiente o la relación coste beneficio es elevada.
Quizás dentro de las medidas anticrisis sea conveniente retomar mecanismos con costes iniciales tan bajos porque no aumentan las pérdidas ya existentes y tienen la misma probabilidad de funcionar que otras medidas recubiertas de lenguaje científico racional, que sólo sirven para aplazar el problema de fondo.

Bissau 15 de marzo de 2010


jueves, 25 de febrero de 2010

Kankouran II - Kuma di kurpu

"Kuma di kurpu?"

La traducción literal de esta expresión en kriol es "cómo está tu cuerpo" lo que nos puede llevar a distintas variables según la situación y contexto, desde las de mayor componente sexual, que podría reflejar la escena típica de un trabajador en el alcantarillado de la acera de la calle Serrano de Madrid al paso de una joven con minifalda exclamando como está tu cuerpo mi arma!, hasta otra más inquisitiva y preocupada por la salud de alguien después de recibir algún golpe.

Pero como influido de la filosofía griega el relacionarse en kriol de la Guiné, lleva a emplear el "Kuma di kurpu ?", como un saludo general, equivalente a "How are you ?" "Cómo estás?" o "Ça va?" en donde la pregunta incluye el cuerpo y la mente, el estar en general del ser en ese contexto. Pero no se realiza esa pregunta a todo el mundo, ya que hay personas a los que no se justifica esta preocupación y así se ha transmitido oralmente, y lo recoge Teresa Montenegro en su obra "Kriol ten".

Para aquellos que no arriesgan, que no tratan de realizar otras cosas por miedo o cobardía no se justifica la pregunta, lo cual tiene sentido, ya que no ha realizado nada que pueda haber variado su estado anterior y seguirá estando como estaba antes y antes y antes y antes.

Kobardu nunka ka puntadu "kuma di kurpu?"
Al cobarde nunca se le pregunta "como está (el cuerpo)?"



Bissau 25 de febrero de 2010

domingo, 7 de febrero de 2010

Três IX-X-XI


IX

Combinaram às vinte e uma horas na casa dele sita na Praça Luís Camôes. Pela janela do forno e depois de acender a luz, que difundia a mema pelo interior, olhava com atenção ao peixe-espada, que já tinha uma cor dourada. Desligou a luz do forno e apanhou a frigideira para fritar as bananas.


Soou a campainha.


- Sim? Olá quem é?


- Olá ! Sou Maruxa da peixaria.

- Óptimo

Carregou no interruptor e ouviu a porta abrir-se, enquanto ia abrir a que dava acceso ao piso. Ficando à espera da sua chegada. Depois dos cumprimentos e beijos nas faces, ela olho para ele com sonriso.


-- E a você como é que lhe chamam?--


-- Desculpe, sou o Brais. Gosta do vinho "godelho"?--


--Não conheço mas está bem--

Deixou o sobretudo muma cadeira e a bolsa e um livro acima da mesa.


- O que estás a ler? - preguntou ele enquanto retirava as bananas da frigideira

- "Rayuela" de Julio Cortázar, um escritor argentino

- Sim, já conheço. Gosto moito do capítulo seis. Podes ler em alto.

- Sim, mas traduzo ao tempo


"Tocou a tua boca, com dedo tocou a borda da tua boca, vou desenhando-a como se saísse da minha mão, como se por vez primeira a tua boca se entreabrisse, e bastame fechar os olhos para desfazê-lo todo e recomençar, faço nascer cada vez a boca que desejo, a boca que a minha mão escolhe e desenha te na face, uma boca escolhida entre todas, com a soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com a minha mão na tua face, e que por um azar que nâo procuro comprnder coincide exatamente com a tua boca que sorri por baixo da que a minha mão desenha.

Olhas-me, de perto olhas-me, cada vez mais perto e então jogamos o cíclope, olhamônos cada vez mais perto e os olhos agrandam-se, aproximam-se, superpôe-se e os cíclopes olham-se, respirando confundidos, as bocas atopam-se e lutan tibiamente, mordem-se os lábios, apoiando apenas a língua nos dentes, jogando nós seus recintos aonde um ar pesado vai e vem com perfume velho e um silêncio. Então minhas procuram afundar-se no teu cabelo, acarinhar vagarosamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como si tivéssamos a boca cheia de flores e peixes, de movimentos vivos, de fragância escura ..."

Ela necessitava um gole, enquanto apanhava a taça de vinho olhou para ele que ficava absorto olhando para ela.

- Uf! Uf! Não cheira a queimado?

X

Ela desceu do carro pela porta traseira, que dava ao tapete vermelho, que vai dar à conduz até à entrada do Albert Hall de Os Angeles.

Posta em pé começou o passeio de braço dado com Manoel de Oliveira e cegada com os flashes de as máquinas fotográficas. A poucos metros vinham Maria de medeiros e Alberte Gómez, a nova promessa do cinema português, e que com ela faziam os papéis principais do último filme de Manoel de Oliveira "O percurso da loira", que foi escolhida candidata ao oscar ao melhor filme de fala nâo inglesa.

No hall viu-a Brad Pitt e aproximou-se dela para acumprimentar, e quando ía receber um beijo; acordou.

Na televisão davam um programa rosa, ela á transpirar suorosa ergueu-se do sofá e olhou para o relógio, às quatro da tarde, tinha que ir depressa se não chegaría tarde ao encontro com o Pau, mais real que o Brad do seu sonho.

XI

Ela estava tomando um garoto e molhava a fatia de manteiga antes de mordiscar com os dentes, enquanto leu no jornal "Diário de Tarrafal" a nova.

--Apedradas e soterradas ao vivo no paraíso--

" Duas moças italianas morrem assassinadas em Cabo Verde pelo enamorado de uma delas, que feriu a outra amiga"

Ficou olhando ao infinito, pela janela; ela conhecera a Giorgina Busato. Aquela moça fizera uma visita há três anos Châ das Caldeiras com um grupo de turistas italianos.

Lembrou o seu sorriso contínuo, o cabelo comprido e preto, a noite que estiveram até às duas da manhã olhando às estrelas e bebendo vinho branco. O dificil que era para a europeia reconhecer as costelaçãos tam perto do hemisfério sul.

Com um lenço secou as lágrimas que começavam a descer pela sua face.

sábado, 30 de enero de 2010

Três VIII


VIII

O avião aterrou no aeroporto da praia duas horas depois da prevista. Ela descem pela porta dianteira, e com caminhar alegre foi apanhar a mala no interior das instalaçôes.

Que fazer? Ouvira falar da vila turística de Tarrafal ao norte da ilha, com sorriso e vontade de comer-se o mundo procurou um meio de transporte. Táxi até à cidade e desde lá um aluguer para o norte.

De caminho olhava para a paisagem montanhosa verde e pedregosa, muito distinta da ilha onde nascera.Depois de passar um desfiladeiro e já perto do cume começou a descer até à ribeira norte.

Depois de apanhar a mala pagou ao chofer o custo do bilhete, já que na Praia não foi possível por não ter ele troco.

Caminhou pela rua a olhar detidamente, entrou numa taberna, pediu uma bica e perguntou ao empregado do balçao por uma pensão.

- Cá mesmo voçê tem.

- Que preço tem?

- Vinte a noite. Quantos días fai você ficar?

- Não sei ando a procurar um trabalho.

- Se você gosta nós precisamos uma empregada de mesa para o restaurante.

- Tá bem.


Três VII


VII

Atou os atacadores dos sapatos e saiu do quarto para cozinha onde a sua mãe deixara o pequeno almoço. bebeu o sumo de laranja e tomou da caneca o leite com chocolate em pó. Arrumou a mesa e lavou a louça.

Era sexta-feira e só tinha aulas de valenciano, história e física. Ela gostava de se sentar ao fundo da sala junto do Pau.

Ao sair foram ao parque passar o tempo até à hora do almoço. Pau deixou-lhe o seu aparelho mp3 para que ouvisse o derradeiro disco de Franz Ferdinand, grupo que o ano passado a tinha feito enlouquecer no concerto de Benicâssim.

No momento da despedida concordaram em combinaram as cinco horas na praia e ir depois ao cinema.

Com lentidão foi para casa, não tinha pressa porque sabia que não ia estar ninguém, a mãe trabalhava até às sete horas e meia e não a veria até a seguir no dia seguinte.
Preparou uma sandes e na sala de estar deitou-se no sofá, ligou a televisão e ficou dormida enquanto no ecrã apareciam os desenhos animados de Futurama.



miércoles, 27 de enero de 2010

Três VI


VI

Já passavam dàs treze horas e pus-se a arrumar as peças de peixe que ficavam à espera dos fregueses de últuma hora.

Pela parte de fora do balção arrumou quatro rodelas de pescada, duas peças de peixe-espada, meia dúzia de lulas, um polvo de uns seiscentos e cinquenta gramas, as amêijoas e os mexilhôes. espalha gelo esmagado por cima e ficou quieta o sentir que Dona branca a olhava ainda com irritação pela demora da manhã.

Olhou-a com rosto sério e saiu à Rua da ribeira nova para acalmar-se. Acendeu um cigarro, percebendo que só restavam três para dar cabo no maço. suspirou e voltou a loja.

Sem falar nada com a patroa passava o tempo a olhar para as pessoas que iam e vinham entre as lojas do Mercado. Fixoûse num homem de mediana idade, cabelo preto, olhos verdes e barba que ia para a loja de peixe.

- Desejo uma peça de peixe-espada.
- Esta é do seu gosto?
- Sim, está bem.
- Desculpe a indiscrição, como é que a vai cozinhar?
- Com bananas ao estilo da Madeira.
- Parece-me interessante.
- Posso convidá-la para jantar?
- Óptimo!

Três V


V

Berta beijou nas bochechas o seu pai, colheu a mala e saiu ao centro da aldeia à espera de um carro.

Um aluguer estava com o motor aceso à espera de um número suficiente de passageiros que rentabilizasse a viagem até São Felipe.

Pagou o bilhete e já sentada num assento do fundo do carro, olhou para o cume do volcão.

Quinze minutos mais tarde o aluguer circulava, a través de Châ das Caldeiras, pela estrada que entre restos da lava começava a descer serpenteante e inclinada até a ribeira.

Lembranças dos anos vividos chegavam à sua mente e sem reparar já entrava nas ruas de São Felipe.

Passeou até a praia, de areia preta e fina. Sentou-se a olhar para o mar infinito. A respiração acelerou-se e tinha a sensação de ficar sem ar. Abriu a mala, colheu o cavaquinho e começou a tanger um funaná.

Duas horas depois rematou exausta, arrumou as coisas, fechou a mala e foio a procura de um aluguer para o aeroporto, o avião descolava às cinco horas. Olhou para atrás, vendo ao longe a ilha de Brava, e continuo caminhando.