domingo, 7 de febrero de 2010

Três IX-X-XI


IX

Combinaram às vinte e uma horas na casa dele sita na Praça Luís Camôes. Pela janela do forno e depois de acender a luz, que difundia a mema pelo interior, olhava com atenção ao peixe-espada, que já tinha uma cor dourada. Desligou a luz do forno e apanhou a frigideira para fritar as bananas.


Soou a campainha.


- Sim? Olá quem é?


- Olá ! Sou Maruxa da peixaria.

- Óptimo

Carregou no interruptor e ouviu a porta abrir-se, enquanto ia abrir a que dava acceso ao piso. Ficando à espera da sua chegada. Depois dos cumprimentos e beijos nas faces, ela olho para ele com sonriso.


-- E a você como é que lhe chamam?--


-- Desculpe, sou o Brais. Gosta do vinho "godelho"?--


--Não conheço mas está bem--

Deixou o sobretudo muma cadeira e a bolsa e um livro acima da mesa.


- O que estás a ler? - preguntou ele enquanto retirava as bananas da frigideira

- "Rayuela" de Julio Cortázar, um escritor argentino

- Sim, já conheço. Gosto moito do capítulo seis. Podes ler em alto.

- Sim, mas traduzo ao tempo


"Tocou a tua boca, com dedo tocou a borda da tua boca, vou desenhando-a como se saísse da minha mão, como se por vez primeira a tua boca se entreabrisse, e bastame fechar os olhos para desfazê-lo todo e recomençar, faço nascer cada vez a boca que desejo, a boca que a minha mão escolhe e desenha te na face, uma boca escolhida entre todas, com a soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com a minha mão na tua face, e que por um azar que nâo procuro comprnder coincide exatamente com a tua boca que sorri por baixo da que a minha mão desenha.

Olhas-me, de perto olhas-me, cada vez mais perto e então jogamos o cíclope, olhamônos cada vez mais perto e os olhos agrandam-se, aproximam-se, superpôe-se e os cíclopes olham-se, respirando confundidos, as bocas atopam-se e lutan tibiamente, mordem-se os lábios, apoiando apenas a língua nos dentes, jogando nós seus recintos aonde um ar pesado vai e vem com perfume velho e um silêncio. Então minhas procuram afundar-se no teu cabelo, acarinhar vagarosamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como si tivéssamos a boca cheia de flores e peixes, de movimentos vivos, de fragância escura ..."

Ela necessitava um gole, enquanto apanhava a taça de vinho olhou para ele que ficava absorto olhando para ela.

- Uf! Uf! Não cheira a queimado?

X

Ela desceu do carro pela porta traseira, que dava ao tapete vermelho, que vai dar à conduz até à entrada do Albert Hall de Os Angeles.

Posta em pé começou o passeio de braço dado com Manoel de Oliveira e cegada com os flashes de as máquinas fotográficas. A poucos metros vinham Maria de medeiros e Alberte Gómez, a nova promessa do cinema português, e que com ela faziam os papéis principais do último filme de Manoel de Oliveira "O percurso da loira", que foi escolhida candidata ao oscar ao melhor filme de fala nâo inglesa.

No hall viu-a Brad Pitt e aproximou-se dela para acumprimentar, e quando ía receber um beijo; acordou.

Na televisão davam um programa rosa, ela á transpirar suorosa ergueu-se do sofá e olhou para o relógio, às quatro da tarde, tinha que ir depressa se não chegaría tarde ao encontro com o Pau, mais real que o Brad do seu sonho.

XI

Ela estava tomando um garoto e molhava a fatia de manteiga antes de mordiscar com os dentes, enquanto leu no jornal "Diário de Tarrafal" a nova.

--Apedradas e soterradas ao vivo no paraíso--

" Duas moças italianas morrem assassinadas em Cabo Verde pelo enamorado de uma delas, que feriu a outra amiga"

Ficou olhando ao infinito, pela janela; ela conhecera a Giorgina Busato. Aquela moça fizera uma visita há três anos Châ das Caldeiras com um grupo de turistas italianos.

Lembrou o seu sorriso contínuo, o cabelo comprido e preto, a noite que estiveram até às duas da manhã olhando às estrelas e bebendo vinho branco. O dificil que era para a europeia reconhecer as costelaçãos tam perto do hemisfério sul.

Com um lenço secou as lágrimas que começavam a descer pela sua face.

sábado, 30 de enero de 2010

Três VIII


VIII

O avião aterrou no aeroporto da praia duas horas depois da prevista. Ela descem pela porta dianteira, e com caminhar alegre foi apanhar a mala no interior das instalaçôes.

Que fazer? Ouvira falar da vila turística de Tarrafal ao norte da ilha, com sorriso e vontade de comer-se o mundo procurou um meio de transporte. Táxi até à cidade e desde lá um aluguer para o norte.

De caminho olhava para a paisagem montanhosa verde e pedregosa, muito distinta da ilha onde nascera.Depois de passar um desfiladeiro e já perto do cume começou a descer até à ribeira norte.

Depois de apanhar a mala pagou ao chofer o custo do bilhete, já que na Praia não foi possível por não ter ele troco.

Caminhou pela rua a olhar detidamente, entrou numa taberna, pediu uma bica e perguntou ao empregado do balçao por uma pensão.

- Cá mesmo voçê tem.

- Que preço tem?

- Vinte a noite. Quantos días fai você ficar?

- Não sei ando a procurar um trabalho.

- Se você gosta nós precisamos uma empregada de mesa para o restaurante.

- Tá bem.


Três VII


VII

Atou os atacadores dos sapatos e saiu do quarto para cozinha onde a sua mãe deixara o pequeno almoço. bebeu o sumo de laranja e tomou da caneca o leite com chocolate em pó. Arrumou a mesa e lavou a louça.

Era sexta-feira e só tinha aulas de valenciano, história e física. Ela gostava de se sentar ao fundo da sala junto do Pau.

Ao sair foram ao parque passar o tempo até à hora do almoço. Pau deixou-lhe o seu aparelho mp3 para que ouvisse o derradeiro disco de Franz Ferdinand, grupo que o ano passado a tinha feito enlouquecer no concerto de Benicâssim.

No momento da despedida concordaram em combinaram as cinco horas na praia e ir depois ao cinema.

Com lentidão foi para casa, não tinha pressa porque sabia que não ia estar ninguém, a mãe trabalhava até às sete horas e meia e não a veria até a seguir no dia seguinte.
Preparou uma sandes e na sala de estar deitou-se no sofá, ligou a televisão e ficou dormida enquanto no ecrã apareciam os desenhos animados de Futurama.



miércoles, 27 de enero de 2010

Três VI


VI

Já passavam dàs treze horas e pus-se a arrumar as peças de peixe que ficavam à espera dos fregueses de últuma hora.

Pela parte de fora do balção arrumou quatro rodelas de pescada, duas peças de peixe-espada, meia dúzia de lulas, um polvo de uns seiscentos e cinquenta gramas, as amêijoas e os mexilhôes. espalha gelo esmagado por cima e ficou quieta o sentir que Dona branca a olhava ainda com irritação pela demora da manhã.

Olhou-a com rosto sério e saiu à Rua da ribeira nova para acalmar-se. Acendeu um cigarro, percebendo que só restavam três para dar cabo no maço. suspirou e voltou a loja.

Sem falar nada com a patroa passava o tempo a olhar para as pessoas que iam e vinham entre as lojas do Mercado. Fixoûse num homem de mediana idade, cabelo preto, olhos verdes e barba que ia para a loja de peixe.

- Desejo uma peça de peixe-espada.
- Esta é do seu gosto?
- Sim, está bem.
- Desculpe a indiscrição, como é que a vai cozinhar?
- Com bananas ao estilo da Madeira.
- Parece-me interessante.
- Posso convidá-la para jantar?
- Óptimo!

Três V


V

Berta beijou nas bochechas o seu pai, colheu a mala e saiu ao centro da aldeia à espera de um carro.

Um aluguer estava com o motor aceso à espera de um número suficiente de passageiros que rentabilizasse a viagem até São Felipe.

Pagou o bilhete e já sentada num assento do fundo do carro, olhou para o cume do volcão.

Quinze minutos mais tarde o aluguer circulava, a través de Châ das Caldeiras, pela estrada que entre restos da lava começava a descer serpenteante e inclinada até a ribeira.

Lembranças dos anos vividos chegavam à sua mente e sem reparar já entrava nas ruas de São Felipe.

Passeou até a praia, de areia preta e fina. Sentou-se a olhar para o mar infinito. A respiração acelerou-se e tinha a sensação de ficar sem ar. Abriu a mala, colheu o cavaquinho e começou a tanger um funaná.

Duas horas depois rematou exausta, arrumou as coisas, fechou a mala e foio a procura de um aluguer para o aeroporto, o avião descolava às cinco horas. Olhou para atrás, vendo ao longe a ilha de Brava, e continuo caminhando.

Três IV


IV

Depois de lavar todo o seu corpo meticulosamente agarrou a toalha para enxugar cada ângulo da sua pele com delicadeza. Quando fnalizou a menina ficou de pé frente ao espelho, olhando a sua figura na pesquisa de mudanças. A sua primeira menstruação houve que sentira o seu aspecto físico en evolução.

Olhou para sua estatura alta e magra, a pele morena, a cara redonda, o cabelo ruivo e comprido levemente encaracolado.

Os olhos azuis e grandes salientavam do resto, as sobrancelhas pequenas e finas, as palpebras grossas e as pestanas compridas.
O nariz normal com narinas largas. A boca grande de lábios grossos e algumas sardas nas bochechas. Os peitos já bem formados com mamilos grandes, a barriga lisa e o brinco do umbigo, os nascentes pêlos púbicos, as coxas magras que pelos joelhos se unían aos tornozelos onde um mês antes ela pôs umas pulseiras. No fim, por último ela olhou os pés e as unhas pintadas de cor-de-laranja.

Sentiãse mais velha, já não era uma criança, tinha treze anos, e no seu quarto sito na praça Xúquer tomou consciência de que uma nova vida começava.

Três III


III

Acordou às sete horas, depois de ouvir o despertador ou pela causa de este, já que a actividade mental inconscente que manifestava nesse momento tinha-a num estado de confusão.

Apartou o lençol e com lentidão agarrou as cuecas e o soutien que deixara nos pés da cama. Saiu da cama e erguida com dificultade começou a cobrir o seu corpo nu com roupa.

Não tinha nem tempo para tomar um duche. A toda a pressa ela pus o bule com chá no bico do fogão, acendia o lume, e enquanto se preparava ajeitava a sua imagem.

Uma vez cheia a chávena com chá bastou um golo para que de novo o ar ocupasse o espaço no que segndos antes estava o chá.

Puxou da porta e desçendo dende o terceiro andar até o portão do número dezasseis da Rua da Rosa. A pressa desce até a Rua Moeda, vira à esquerda e no meio da Rua de S.Paulo vira à dereita o Mercado da Ribeira.

Eram oito horas e nove minutos e Dona Branca já descerrara o posto de venda de peixe e ficou olhando para a empregada enquanto ela apanhava a roupa de trabalho sem dixer nada.